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A verdadeira história do Tarot: do jogo de cartas renascentista ao ritual de autocuidado de 2026

Filippo AnzivinoMilan

O Tarot não é magia antiga, é uma conversa de 600 anos entre arte, psicologia, mito e significado pessoal.

É frequente as pessoas pensarem que o Tarot veio dos templos egípcios ou de ordens místicas secretas. Não é verdade. As primeiras cartas de Tarot foram criadas em Itália, no século XV, como um jogo de cartas de elite. A camada mística chegou séculos mais tarde através de académicos, ocultistas e filósofos que viram símbolos nas cartas que os criadores originais nunca pretenderam.

Hoje em dia, o Tarot encontra-se numa intersecção de cultura, identidade, psicologia e criatividade. Alguns usam-no como ferramenta de meditação, outros como terapia, outros como entretenimento, outros como um ritual privado. Quer acredites na intuição, nos arquétipos ou no puro acaso, o Tarot persiste porque oferece às pessoas uma forma estruturada de refletir sobre as suas vidas através de imagens que parecem intemporais.

Este guia passa ao lado da mitologia, da desinformação e dos tropos de Hollywood. Explica o que é realmente o Tarot, porque evoluiu e como as pessoas o utilizam em 2025.

1. a verdadeira história de origem: um jogo de cartas da Renascença, não um mistério antigo

Os primeiros baralhos de Tarot surgiram no norte de Itália no início do século XIV. Eram objectos de luxo, pintados à mão para famílias aristocráticas, e utilizados para jogar um jogo de truques chamado trionfi. Não havia magia, nem adivinhação, nem doutrina sagrada nas cartas. Eram simplesmente um baralho de cartas decorado com cartas ilustradas extra que acrescentavam novas regras ao jogo.

A reinterpretação mística começou no final dos anos 1700, quando o escritor francês Court de Gébelin afirmou que o Tarot preservava o conhecimento secreto do antigo Egito. Não havia provas disso, mas a ideia espalhou-se rapidamente porque soava misteriosa e exótica. Pouco depois, a primeira leitora profissional de cartas, Etteilla, criou o primeiro guia de significados divinatórios e atribuiu novas interpretações esotéricas às imagens.

A partir daí, o Tarot passou lentamente de um jogo de nobres a uma ferramenta simbólica para a intuição, a filosofia e a exploração pessoal.

1. a verdadeira história de origem: um jogo de cartas da Renascença, não um mistério antigo

2. as três grandes famílias do Tarot que moldaram o imaginário moderno

Apesar dos milhares de baralhos contemporâneos, a maioria descende de três linhagens principais. Cada uma delas oferece uma linguagem artística diferente e uma forma de leitura diferente.

Tarot de Marselha: o esqueleto tradicional
Esta família é a espinha dorsal do Tarot europeu. As imagens são inspiradas na xilogravura e muitas vezes abstractas. Muitas cartas contêm gestos ou expressões faciais mínimas, o que obriga o leitor a concentrar-se no número, na cor e na geometria simbólica. Os leitores que preferem Marselha descrevem-no frequentemente como mais direto e menos sentimental.

Rider-Waite-Smith: o baralho que conta histórias que viste em todo o lado
Publicado em 1909, este é o baralho mais influente do mundo. A artista Pamela Colman Smith acrescentou cenas aos Arcanos Menores, transformando cada carta numa pequena narrativa. Como cada carta conta uma micro-história, os principiantes acham-no acessível. A maioria dos livros de Tarot em língua inglesa baseia-se neste sistema.

Tarot de Thoth: simbólico, filosófico, intenso
Concebido por Aleister Crowley e pintado por Lady Frieda Harris, este baralho mistura astrologia, Cabala, geometria sagrada e teoria das cores. É denso e intelectualmente exigente. Muitos leitores usam-no como uma ferramenta de filosofia visual em vez de um baralho casual.

Estas três famílias não são apenas variações artísticas. Representam abordagens distintas à criação de significado: abstrata, narrativa e esotérica.

2. as três grandes famílias do Tarot que moldaram o imaginário moderno

3. porque é que o Tarot é preciso mesmo que não acredites em magia

Não precisas de explicações sobrenaturais para compreenderes porque é que o Tarot tem um impacto profundo nas pessoas.

O efeito de projeção
Os seres humanos lêem-se a si próprios nas imagens. Quando descreves uma carta, estás também a descrever as tuas próprias preocupações, valores e emoções.

O efeito Barnum
Interpretamos naturalmente as afirmações abertas como sendo pessoalmente específicas. As cartas de Tarot utilizam uma linguagem simbólica, o que permite que as pessoas encontrem relevância nelas sem manipulação.

Leitura fria e reconhecimento de padrões
O Tarot dá estrutura a pensamentos que já estavam presentes. Encoraja uma linguagem como "isto faz-me lembrar" ou "isto faz-me pensar", que orienta a autorreflexão.

Arquétipos Junguianos
Muitas imagens do Tarot assemelham-se aos arquétipos que Carl Jung catalogou na psicologia. Despertam um reconhecimento intuitivo em todas as culturas: o herói, o eremita, a torre, os amantes. Mesmo sem crença mística, estes motivos têm significado porque existem na literatura, nos sonhos e na imaginação colectiva.

Em suma, o Tarot funciona porque te espelha de volta a ti próprio.

3. porque é que o Tarot é preciso mesmo que não acredites em magia

4. o Tarô em 2025: identidade, arte e a nova paisagem espiritual

O Tarot não é uma relíquia do passado. Está a evoluir mais rapidamente do que nunca.

A abordagem adjacente à terapia
Muitas pessoas utilizam o Tarot como uma ferramenta de reflexão semelhante à escrita de um diário. Ajuda a articular sentimentos, a clarificar dilemas e a explorar narrativas internas.

Uma ferramenta de identidade e representação
Os baralhos modernos desafiam as limitações culturais das imagens mais antigas. Os baralhos queer, feministas e centrados no BIPOC reimaginam os arquétipos de forma a refletir as identidades contemporâneas. Isto faz com que o Tarot seja mais inclusivo e pessoal.

Minimalismo espiritual e o declínio do fatalismo
As gerações mais novas abordam o Tarot como orientação e não como previsão. A pergunta já não é "O que me vai acontecer?", mas sim "O que posso compreender melhor?" ou "Como posso seguir em frente?"

O boom dos baralhos indie
Os artistas usam o Tarot como uma tela para a experimentação. Baralhos de aguarela, baralhos de colagem, baralhos abstractos e baralhos temáticos (plantas, mitos, cidades) transformam o Tarot num objeto de coleção de arte e numa ferramenta de reflexão.

TikTok e o ritual do pull diário
Leituras curtas, visuais estéticos e rituais de cartas matinais fizeram do Tarot um hábito diário para milhões de pessoas. A plataforma transformou o Tarot de um hobby de nicho numa prática comum.

4. o Tarô em 2025: identidade, arte e a nova paisagem espiritual

5) Deves ler Tarot? uma resposta fundamentada

O Tarot não se trata de prever o destino. Trata-se de dar forma a questões que são difíceis de expressar. Abranda o pensamento, reformula os problemas e torna as emoções visíveis.

Não precisas de crença, intuição ou treino simbólico. Só precisas de curiosidade e vontade de olhar para as imagens como espelhos.

Se for bem utilizado, o Tarot torna-se

  • uma ferramenta para contar histórias
  • um dispositivo de reflexão pessoal
  • um artefacto cultural
  • uma conversa contigo mesmo

Não te vai dizer o que vai acontecer. Ajuda-te a compreender o que já está a acontecer dentro de ti.

5) Deves ler Tarot? uma resposta fundamentada

6. um esquema simples para principiantes: Situação, Obstáculo, Conselho

Muitos spreads são teatrais ou complexos. Não precisas delas.

Aqui tens uma estrutura clara, de três cartas, apoiada por investigação psicológica sobre enquadramento narrativo.

Carta 1: Situação
O que está ativo na tua vida neste momento. O que precisa de atenção.

Carta 2: Obstáculo
O que complica a situação. O que está a bloquear a clareza ou o progresso.

Carta 3: Conselho
Em que te deves concentrar. Que perspetiva pode ajudar-te a avançar.

Esta tiragem evita a previsão e dá força à reflexão. É ideal para quem está a iniciar um ritual diário de Tarot.

6. um esquema simples para principiantes: Situação, Obstáculo, Conselho

7. uma reflexão final

O Tarot sobreviveu seis séculos porque se adapta à cultura que o detém. Tem sido um jogo, um sistema místico, um mapa filosófico, uma ferramenta psicológica e uma forma de arte. O poder do Tarot vem da sua capacidade de mudar com o mundo e com o leitor.

Em 2025, o Tarot tem menos a ver com o destino e mais com a compreensão das histórias que contamos a nós próprios. Quer o trates como curiosidade, conforto ou exploração criativa, o Tarot oferece algo invulgar: um momento tranquilo para abrandar e ouvir a tua própria mente.

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