Sinagoga de Zamość: a casa de oração renascentista da Polónia - Zamosc
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Destino

Sinagoga de Zamość: a casa de oração renascentista da Polónia

Zamosc, Poland

Desenho arquitetónico e o santuário rebaixado

No cruzamento da ulica Pereca 14 com a ulica Zamenhofa 9, em pleno centro histórico de Zamość, ergue-se aquela que é consensualmente considerada a mais bem preservada sinagoga do final do Renascimento e do Maneirismo em toda a Polónia. Construída em tijolo e pedra entre 1610 e 1618–1620 para substituir uma modesta antecessora em madeira da década de 1590, a estrutura é peça fulcral no traçado urbano classificado como Património Mundial pela UNESCO. De planta quadrada, o seu exterior destaca-se pelo parapeito decorativo do ático, que esconde habilmente uma cobertura invertida em calha (dach pogrążony).

Ao entrar no edifício, descem-se degraus de pedra diretamente da rua para a atmosfera mais fresca da sala de oração principal. Este chão rebaixado foi uma solução engenhosa e deliberada. As normas canónicas e municipais da época proibiam terminantemente que os templos não cristãos superassem as igrejas em altura ou dominassem o horizonte da cidade-fortaleza. A saída dos mestres de obras? Escavar alguns degraus abaixo do solo. Desta forma, ganharam altura interior, deram um toque teatral à abóbada e ampliaram a acústica, tudo isto sem desafiar os rígidos regulamentos urbanísticos locais.

O virtuosismo maneirista de Kalisz-Lublin

No interior da sala de oração, as amplas paredes de alvenaria caiada sustentam um teto abobadado ornamentado no estilo de estuque maneirista polaco, a vertente regional «Kalisz-Lublin». Uma intrincada teia geométrica em gesso percorre o teto, pontuada por rosetas florais, motivos de frutas, cartelas e coroas. Um detalhe fascinante: estes padrões de gesso do Renascimento tardio refletem quase ao pormenor os estuques da Sé Catedral Católica de Zamość, tendo sido executados na mesma época pelos mesmos artesãos das corporações locais, a beber da mesma tradição estilística.

O ponto focal da parede oriental é o Aron ha-Kodesh (a arca sagrada da Torá) do início do século XVII, finamente esculpido em pedra, que ainda conserva vestígios da sua policromia original. Entre meados e o final do século XVII, o complexo expandiu-se com anexos laterais mais baixos (babińce) ao longo das paredes norte e sul, destinados à oração das mulheres, bem como um edifício contíguo para a sede da comunidade (dom kahalny).

Origens sefarditas e efervescência intelectual

A história da comunidade judaica de Zamość distingue-se da maioria das outras cidades do leste polaco. Em 1588, o fundador da cidade, Jan Zamoyski, concedeu privilégios de fixação especificamente a judeus sefarditas vindos de Veneza e do Império Otomano, com o intuito de impulsionar o comércio com o Mediterrâneo e o Levante. Nasceu assim a comunidade sefardita mais a norte de toda a Europa Central e Oriental, e esta casa de oração começou por adotar o rito sefardita (Nusach Sefard).

Após as convulsões causadas pela Revolta de Khmelnytsky e pelo «Dilúvio» sueco em meados do século XVII, a população sefardita local definhou e dispersou-se, abrindo caminho à predominância asquenaze. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o complexo sinagogal transformou-se num dos mais relevantes polos regionais de erudição rabínica tradicional e da Haskalah (o Iluminismo judaico).

Profanação na guerra e renascimento moderno

Durante a Segunda Guerra Mundial, as autoridades de ocupação alemãs fecharam a população judaica de Zamość num gueto antes de a deportar e exterminar, principalmente no campo de extermínio de Bełżec. A sinagoga foi profanada, esvaziada de todos os seus elementos litúrgicos, incluindo a bimá central em ferro forjado, e convertida em estrebaria e carpintaria.

Após reparações no pós-guerra, entre 1948 e 1950, o edifício acolheu a Biblioteca Pública Municipal de Zamość a partir de 1958 até ao início dos anos 2000. Em 2005, a propriedade foi restituída à Fundação para a Preservação do Património Judaico na Polónia (FODZ). Entre 2009 e 2011, a FODZ levou a cabo um vasto projeto de restauro com o apoio do World Monuments Fund e das EEA/Norway Grants, recuperando os estuques históricos, as cantarias e as fachadas.

Hoje, o complexo renasceu como Centro «Sinagoga» (Centrum Synagoga). Integra o Museu Multimédia da História dos Judeus de Zamość e da Região, uma galeria de exposições e o centro de apoio ao visitante da «Rota Chassídica». Além de receber palestras, concertos e celebrações religiosas de congregações judaicas em visita, o espaço serviu também de base a operações locais de ajuda humanitária a refugiados.

A malha da «cidade ideal»

A sinagoga foi perfeitamente integrada no plano diretor gizado pelo arquiteto italiano Bernardo Morando, que desenhou Zamość como uma città ideale (cidade ideal) renascentista para Jan Zamoyski. Localizada logo a nordeste da Grande Praça do Mercado (Rynek Wielki) e junto à Praça do Sal (Rynek Solny), a sinagoga serve de âncora ao antigo bairro judaico, espelhando a convivência multicultural planeada que caracterizou a cidade-fortaleza desde a sua fundação.

FAQ

Porque é que o piso da Sinagoga de Zamość fica abaixo do nível do solo?

O piso da sala de oração foi propositadamente construído alguns degraus abaixo do nível da rua para maximizar a altura do teto e a acústica sem violar as leis da época, que proibiam os edifícios não cristãos de ultrapassar a altura das igrejas cristãs.

O que torna os primeiros anos da sinagoga únicos na Polónia?

Nasceu na sequência de um decreto concedido em 1588 por Jan Zamoyski a mercadores judeus sefarditas de Veneza e do Império Otomano, dando origem à comunidade sefardita mais a norte de toda a Europa Central e Oriental, que começou por adotar o rito sefardita.

Como é utilizada a Sinagoga de Zamość nos dias de hoje?

Gerido pela Fundação para a Preservação do Património Judaico na Polónia (FODZ) como Centrum Synagoga, alberga um museu de história judaica, serve de centro de visitantes da Rota Hassídica, acolhe programas culturais e cerimónias religiosas, e apoia operações de ajuda humanitária.

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