
Aqueduto da Água de Prata: os arcos habitados de Évora
O Aqueduto da Água de Prata ergue-se como uma obra-prima estrutural e emblemática no Centro Histórico de Évora, classificado como Património Mundial pela UNESCO. Classificado como Monumento Nacional em 1910, este sistema hidráulico do século XVI liga fisicamente as muralhas defensivas exteriores da cidade aos pontos centrais de referência, como a Praça do Giraldo e o Templo Romano.
Uma solução renascentista para uma cidade seca
Devido aos verões tórridos do Alentejo e à dependência de poços escassos, Évora sofria com frequentes períodos de seca à medida que a urbe se expandia. Para resolver esta crise, D. João III encomendou uma grande obra hidráulica renascentista que trouxesse um abastecimento contínuo de água de nascente diretamente até ao coração da cidade.
O arquiteto régio Francisco de Arruda dirigiu a monumental construção entre 1531 e 1537. Quando concluído, o sistema estendia-se por cerca de 18 quilómetros, desde as nascentes de água pura na Graça do Divor até ao centro da cidade. No seu ponto mais alto, os imponentes arcos exteriores atingiam 26 metros de altura, canalizando a água com sucesso para os chafarizes públicos por toda a cidade de Évora.
Casas embutidas nos arcos
À medida que o espaço intramuros se tornou escasso ao longo dos séculos, os habitantes locais começaram a incorporar a arcaria de granito diretamente nas suas casas. Hoje, o troço mais emblemático desta simbiose encontra-se ao longo da Rua do Cano, prolongando-se até à Rua do Salvador e à Travessa das Nunes.
Aqui, as habitações aproveitam o monumento quinhentista como paredes-mestras estruturais. As fachadas residenciais caiadas de branco contrastam em pleno com os pilares de granito renascentistas expostos. Molduras de portas, telhados e pisos superiores aconchegam-se nas curvas dos arcos, moldando uma rua estreita e pitoresca à medida que os arcos diminuem de altura e a calçada se afunila.
Água de prata e poesia épica
O nome do aqueduto encerra uma dupla leitura. Embora a lenda popular diga que «Água de Prata» alude ao custo astronómico da obra, paga a peso de prata, os registos históricos associam o nome à pureza e limpidez prateada da nascente na Fonte da Prata.
A grandiosidade do aqueduto deixou uma marca indelével na cultura portuguesa, com o poeta Luís Vaz de Camões a celebrar a monumental obra no seu épico «Os Lusíadas». A marca de Francisco de Arruda foi além do aqueduto, tendo desenhado também a caixa de água renascentista com colunas toscanas na vizinha Rua Nova de Santiago.
Trilhos modernos e preservação
Atualmente, a Rua do Cano mantém-se como uma artéria residencial e comercial cheia de vida, com casas particulares, oficinas de artesãos e cafés instalados sob os arcos. O troço urbano do aqueduto serve de percurso pedonal pelo centro histórico. Mais para fora, o traçado rural transforma-se no Percurso da Água de Prata, funcionando como um trilho pedestre e ciclável que acompanha de perto a imponente estrutura de pedra.
FAQ
Quem projetou o Aqueduto da Água de Prata?
O aqueduto foi projetado pelo arquiteto régio Francisco de Arruda, que supervisionou a sua construção entre 1531 e 1537 por encomenda de D. João III.
Porque existem casas construídas nos arcos do aqueduto?
Com a falta de espaço intramuros em Évora ao longo dos séculos, a população começou a erguer casas encravadas na arcaria de granito, aproveitando os arcos como paredes-mestras estruturais.
Qual é a extensão do Aqueduto da Água de Prata?
Todo o sistema hidráulico estende-se por cerca de 18 quilómetros, ligando as nascentes de água pura na Graça do Divor diretamente ao centro da cidade de Évora.
O que significa «Água de Prata»?
Traduz-se literalmente por «Água de Prata». Embora a lenda popular sugira que se refere ao custo astronómico da construção, os registos históricos associam o nome à limpidez prateada da sua nascente.



