
Visita à Torre Ghirlandina: o campanário de Módena classificado pela UNESCO
No alto desta torre classificada pela UNESCO repousa um modesto balde de madeira que, segundo reza a lenda, desencadeou uma guerra medieval. Ergue os olhos a partir da praça para contemplar a imponente Torre Cívica, a Ghirlandina, o histórico campanário que domina o horizonte da cidade.
Com os seus 86,12 metros de altura em plena Piazza Grande, a Torre della Ghirlandina ancora o coração histórico de Módena. Reconhecida como Património Mundial da UNESCO em 1997, a par da catedral e da praça adjacentes, a torre funcionou historicamente tanto como campanário religioso quanto como cofre municipal fortificado.
Uma obra-prima de duas eras arquitetónicas
A construção da torre começou entre 1099 e 1130, sob a batuta do arquiteto Lanfranco. Esta fase inicial ergueu uma base românica robusta e quadrada. Restauros científicos revelaram, entretanto, que a alvenaria inferior foi construída com recurso a pedras e baixos-relevos reaproveitados da antiga cidade romana de Mutina.
Entre 1261 e 1319, Arrigo da Campione e os mestres campioneses concluíram a estrutura, acrescentando-lhe um delicado coruchéu gótico octogonal coroado por um globo dourado. Este acréscimo altaneiro foi alimentado por uma feroz rivalidade cívica, com Módena decidida a ofuscar a imponente silhueta da vizinha Bolonha. A torre passou a ser carinhosamente conhecida como «Ghirlandina» devido às duplas balaustradas de mármore e aos pináculos que envolvem o coruchéu, semelhantes a grinaldas delicadas.
A lenda do balde roubado
Na Idade Média, a torre guardava o cofre-forte municipal, o arquivo cívico e os estatutos da cidade. Tornou-se também a morada de um troféu de guerra caricato. A 15 de novembro de 1325, as forças gibelinas de Módena derrotaram o exército bolonhês guelfo na Batalha de Zappolino. Ao perseguirem as tropas em retirada até às portas de Bolonha, os soldados de Módena roubaram um simples balde de madeira de um poço como troféu de escárnio.
O balde foi pendurado por correntes na primeira sala abobadada da torre, hoje conhecida como Sala della Secchia Rapita. No século XVII, o escritor Alessandro Tassoni publicou o poema herói-cómico La secchia rapita, popularizando o mito satírico de que a guerra fora travada por causa do próprio balde. As evidências históricas, contudo, provam que o balde só foi levado após a vitória na batalha. Hoje em dia, uma réplica de madeira está suspensa na torre, enquanto o histórico original permanece bem guardado no Palazzo Comunale.
Subir à Ghirlandina
A Torre della Ghirlandina está aberta diariamente ao público mediante reserva de horário, com entrada normal a 6,00 €. A subida exige vencer 200 degraus estreitos e em caracol através de espessas paredes de alvenaria. O trajeto passa pela Sala della Secchia Rapita e culmina no 5.º piso, na Stanza dei Torresani, uma câmara abobadada com capitéis medievais decorados. As secções superiores do coruchéu mantêm-se encerradas por motivos de segurança.
A partir deste miradouro, as altas janelas em arco revelam vistas panorâmicas sobre os telhados de terracota de Módena, a calçada geométrica da Piazza Grande e as colinas distantes dos Apeninos. De regresso à base, o lado norte da torre acolhe o Sacrario della Ghirlandina, um solene memorial cívico dedicado aos partisanos locais que perderam a vida durante a Segunda Guerra Mundial.
FAQ
Qual é a altura da Torre della Ghirlandina?
A torre ergue-se a 86,12 metros de altura sobre a Piazza Grande, em pleno centro de Módena.
Por que razão a torre se chama Ghirlandina?
O nome provém das duplas balaustradas de mármore e dos pináculos que envolvem o coruchéu octogonal, fazendo lembrar grinaldas delicadas (ghirlande).
É possível subir à Torre della Ghirlandina?
Sim, a torre está aberta diariamente. É possível reservar um horário de visita por 6,00 € e subir 200 degraus interiores até à Stanza dei Torresani, no 5.º piso.
O balde roubado original está no interior da torre?
Não, a torre exibe uma réplica de madeira na Sala della Secchia Rapita. O exemplar histórico original encontra-se preservado no adjacente Palazzo Comunale.



