
Largo do Toural: a grande praça histórica de Guimarães
A sala de visitas de Guimarães
O Largo do Toural, popularmente conhecido apenas por Toural, serve de fronteira simbólica entre a Guimarães medieval e a cidade moderna em expansão. Frequentemente chamado de sala de visitas da cidade, este largo cívico central situa-se imediatamente fora do centro histórico classificado como Património Mundial da UNESCO. O local proporciona um contraste visual impressionante, marcando uma transição abrupta dos becos de pedra medievais, estreitos e sombrios da Porta da Vila, para uma ampla extensão banhada pelo sol, emoldurada por fachadas em tons pastel e imponentes cantarias de granito.
Da feira de gado ao coração da cidade
No século XVII, o espaço não passava de um descampado situado logo após a principal porta da muralha medieval. Servia essencialmente para feiras de gado e touradas, o que deu origem ao nome "toural", derivado da palavra touro. Sob o reinado de D. Maria I, em 1791, o espaço sofreu uma grande transformação urbana. A muralha medieval a nascente foi demolida para substituir os telheiros rurais por edifícios comerciais homogéneos, de traço neoclássico e pombalino inspirados em Lisboa. Ao longo dos séculos, a praça passou por várias remodelações, incluindo a criação de um jardim público em 1878 e a colocação da estátua de D. Afonso Henriques em 1910.
Marcos e arquitetura
A praça é definida por várias estruturas históricas de relevo. A bem preservada Torre da Alfândega, do século XIII, é um troço da antiga muralha e torre medieval que ostenta a famosa inscrição gótica a branco: "Aqui nasceu Portugal". Este marco consagra Guimarães como o Berço da Nação e é o enquadramento fotográfico mais famoso da cidade. A Basílica de São Pedro, construída entre os séculos XVIII e XIX, ancora um dos lados da praça, enquanto as harmoniosas fachadas pombalinas setecentistas delimitam o perímetro com as suas varandas em ferro forjado e mansardas.
O chafariz errante
No centro do largo ergue-se o Chafariz do Toural, uma fonte renascentista de granito do século XVI, obra do mestre pedreiro Gonçalo Lopes. Com três taças, uma esfera armilar, as armas reais e o brasão da cidade, o chafariz tem uma história singular. Foi desmontado e transferido em 1873, passando mais de 130 anos noutras praças da cidade. Por ocasião de Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, o espaço foi pedonalizado e o chafariz original regressou finalmente ao seu lugar histórico. Sob o chafariz, o piso da praça é calcetado a quartzo e basalto escuro, desenhando no chão um subtil traçado que reproduz a malha urbana exata do centro histórico de Guimarães.
Ponto de encontro contemporâneo
Hoje, este espaço pedonal funciona como um animado ponto de encontro, repleto de esplanadas, pastelarias tradicionais, bancos e hotéis de charme. É o palco principal de celebrações cívicas, espetáculos culturais e festividades tradicionais. Durante as anuais Festas Nicolinas, a praça torna-se o epicentro de uma antiga tradição académica, onde os estudantes passam por um ritual de iniciação que inclui um mergulho involuntário no tanque do Chafariz do Toural.
FAQ
Porque é que a muralha do Largo do Toural diz "Aqui nasceu Portugal"?
A Torre da Alfândega, do século XIII, ostenta a inscrição "Aqui nasceu Portugal" para afirmar a identidade de Guimarães como o Berço da Nação.
Qual é a história do chafariz do Largo do Toural?
O Chafariz do Toural é uma fonte renascentista de granito do século XVI que foi relocalizada em 1873. Passou mais de 130 anos noutras praças até regressar ao seu local original durante a requalificação de 2011-2012.
O que representam as pedras no chão do Largo do Toural?
A calçada da praça, feita em quartzo e basalto escuro, desenha um subtil traçado que reproduz o mapa das ruas do centro histórico de Guimarães.



