
Catedral católica de São Tiago e São Cristóvão em Corfu
A dominar um dos lados da histórica Praça da Câmara Municipal de Corfu, a Igreja Metropolitana Católica de São Tiago e São Cristóvão ergue-se como um testemunho marcante da herança veneziana da ilha. Conhecida localmente como o Duomo ou San Giacomo, esta catedral no ativo renasceu das cinzas da Segunda Guerra Mundial e continua a ser um monumento vital a séculos de vida cívica partilhada.
Um legado de arquitetura veneziana
Situada na Rua Guilford, a catedral debruça-se diretamente sobre as esplanadas vibrantes da Praça da Câmara Municipal. Fica frente a frente com a Loggia dei Nobili, do século XVII, funcionando como ponto focal ao longo do percurso histórico que liga a Spianada ao bairro de Campiello. O exterior do edifício exibe uma fachada do barroco veneziano tardio, marcada por um frontão curvo, detalhes denticulados, molduras em pedra desgastada pelo tempo e uma distinta torre sineira contígua.
Séculos de destruição e renascimento
A história do Duomo atravessa vários séculos conturbados. Iniciada no século XV pela Confraria de São Tiago e São Cristóvão, recebeu aprovação papal em 1466 para substituir um templo anterior situado no interior da Fortaleza Velha. Consagrada no século XVI, a igreja resistiu aos danos do cerco otomano de 1571 antes de ser ampliada e designada sé catedral oficial da diocese em 1632.
Após uma profunda reconstrução orientada pelo arcebispo Carlo Labia em 1658, sobreviveu à explosão de um paiol de pólvora em 1718. Contudo, a 13 de setembro de 1943, um bombardeamento incendiário da Luftwaffe alemã devastou por completo o interior, deixando apenas a alvenaria exterior intacta. Uma minuciosa campanha de reconstrução restaurou o edifício com êxito entre 1966 e 1970.
O interior da basílica e as suas curiosidades
O interior da basílica de nave única e teto em madeira estende-se por cerca de 600 metros quadrados e inclui seis capelas laterais. Entrar na nave proporciona um contraste nítido: do burburinho luminoso das esplanadas da praça passa-se para um espaço fresco e sereno, iluminado pela luz suave que se filtra pelas janelas das capelas laterais.
A catedral guarda vários artefactos religiosos e históricos de relevo. Após a Segunda Guerra Mundial, as relíquias de Santo Arsénio, bispo dos séculos IX e X e padroeiro de Corfu, regressaram à igreja. Os restauros do pós-guerra trouxeram também a instalação de um histórico órgão de tubos vindo da antiga Igreja de São Francisco. Além disso, o espaço preserva obras de arte pós-bizantinas, com destaque para o ícone da Virgem Vrefokratousa no Trono, pintado em 1654 por Konstantinos Tzanes.
Um símbolo de unidade cívica
Hoje, o Duomo católico é a sede da Arquidiocese Católica Romana de Corfu, Zacinto e Cefalónia. Funciona como local de culto ativo, acolhendo celebrações diárias e dominicais.
A catedral representa também uma história singular de integração religiosa. Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, a comunidade católica de Corfu celebra a Páscoa no mesmo dia que a congregação ortodoxa oriental. Esta tradição partilhada foi instituída sob o domínio veneziano em 1583, com o intuito de preservar a harmonia cívica entre ambas as comunidades cristãs.
FAQ
Quando foi construído o Duomo católico de Corfu?
A construção da catedral começou no século XV e obteve aprovação papal em 1466. Foi originalmente consagrada no século XVI, embora tenha passado por reconstruções profundas em 1658 e, mais tarde, entre 1966 e 1970, após ter sido bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial.
O que se encontra no interior da Igreja Metropolitana Católica de São Tiago e São Cristóvão?
O interior, com cerca de 600 metros quadrados, conta com uma nave única, teto em madeira e seis capelas laterais. Abriga um órgão de tubos histórico, as relíquias de Santo Arsénio e um ícone de 1654 da Virgem Vrefokratousa no Trono, da autoria de Konstantinos Tzanes.
Por que razão os católicos de Corfu celebram a Páscoa na data ortodoxa?
A tradição de celebrar a Páscoa numa data comum foi estabelecida em 1583, sob o domínio veneziano. Foi implementada para manter a harmonia e a coesão cívica entre as comunidades católica romana e ortodoxa oriental da ilha.



