Destino

Plaza Grande: a praça histórica de Mérida

Merida, Mexico

Origens históricas e alicerces maias

A Plaza Grande, oficialmente designada como Plaza de la Independencia, é o coração histórico, administrativo e geográfico de Mérida, no Iucatão. Fundada em janeiro de 1542 por Francisco de Montejo, «El Mozo», no rescaldo da invasão espanhola da antiga povoação maia de T’hó (Ichcaanzihó), a praça assentou sobre uma acrópole maia aplanada, o monte Bakluumchan. Os construtores coloniais nivelaram a arquitetura indígena e reaproveitaram a cantaria dos templos para erguer tanto o largo central como os edifícios administrativos circundantes.

Inicialmente concebida como uma típica Plaza de Armas colonial espanhola, funcionou como praça de armas para treino militar, mercado e palco de execuções públicas. A 14 de dezembro de 1761, serviu de cenário à execução do líder da resistência maia Jacinto Canek, após uma revolta indígena. As estruturas pré-hispânicas coexistiram com a urbe colonial durante gerações; uma imponente plataforma piramidal maia manteve-se de pé na ala ocidental da praça, lado a lado com os edifícios governamentais espanhóis, ao longo de quase dois séculos, até ser demolida no século XVIII. Em 2011, escavações arqueológicas do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) na secção sul da praça revelaram alicerces coloniais com vestígios de tinta vermelha, calçada primitiva e fragmentos cerâmicos pré-hispânicos, logo abaixo do pavimento moderno.

O nome oficial da praça mudou ao sabor da política regional. Foi rebatizada como Plaza de la Constitución em 1812, à luz da Constituição de Cádis, e recebeu o atual nome oficial, Plaza de la Independencia, em 1821, na esteira da independência mexicana. Em 1915, em plena Revolução Mexicana, o governador Salvador Alvarado redesenhou a praça, instalando uma plataforma central octogonal e renovando os traçados pedonais.

Marcos coloniais e cívicos

A praça é delimitada pelas Calles 60, 61, 62 e 63, com cada uma das frentes definida por elementos de relevo do património cívico e religioso:

  • Este (Calle 60): A Catedral de San Ildefonso, concluída em 1598, é uma das catedrais mais antigas do continente americano.
  • Norte (Calle 61): O Palacio de Gobierno serve de sede ao poder executivo do estado do Iucatão e acolhe murais históricos pintados por Fernando Castro Pacheco.
  • Oeste (Calle 62): O coração da administração cívica assenta no Palacio Municipal, com as suas arcadas cor-de-rosa, ladeado pelo moderno Centro Cultural Olimpo.
  • Sul (Calle 63): A Casa de Montejo, uma residência plateresca do século XVI, foi erguida de raiz para a família do conquistador Francisco de Montejo.

As sillas confidentes

Entre os elementos mais emblemáticos da praça contam-se os bancos duplos de betão branco em forma de «S», conhecidos como sillas confidentes (ou tú y yo). Dispostos em direções opostas, permitem que duas pessoas conversem frente a frente, sem qualquer contacto físico.

Uma lenda local recorrente atribui o desenho a um pai ciumento e protetor da localidade de Bokobá, que terá idealizado estes assentos para vigiar a filha enquanto esta era cortejada. Contudo, os registos históricos mostram que este mobiliário não passa de uma adaptação para o exterior das canapés de conversação francesas de interior do século XIX (tête-à-tête ou vis-à-vis). Foram oficialmente integrados no traçado da praça durante a remodelação de 1915 pelo governador Alvarado, refletindo o fascínio da era porfiriana pela estética arquitetónica francesa.

Vida quotidiana, eventos e atmosfera sensorial

A Plaza Grande é um espaço cívico e público acessível 24 horas por dia. Na sequência de uma profunda requalificação municipal concluída no final de 2024, a praça conta com novos passeios pedonais, pavimento cívico requalificado, mobiliário urbano a estrear e espaços verdes revigorados. O seu microclima beneficia da sombra densa dos loureiros-da-índia (Ficus retusa), cujas copas cuidadosamente podadas oferecem um alívio fresco ao calor tórrido da região.

Ao entardecer, milhares de melros-mexicanos, conhecidos localmente como zanates, recolhem às copas das árvores, criando uma autêntica muralha sonora de chilreios sobre a praça. Ao mesmo tempo, os vendedores ambulantes preparam marquesitas em chapas a gás portáteis, perfumando o ar com o aroma a massa tostada, queijo Edam derretido e caramelo.

A praça acolhe eventos municipais regulares ao longo da semana. Às segundas-feiras à noite, a dança folclórica da Vaquería Yucateca ganha vida em frente ao Palacio Municipal, a somar às visitas guiadas a pé que se realizam diariamente. Aos domingos, as ruas circundantes fecham ao trânsito automóvel para a iniciativa «Mérida en Domingo», repleta de bancas de artesanato, rulotes de comida tradicional do Iucatão e espetáculos musicais ao ar livre.

Papel na malha urbana de Mérida

Para lá da sua função histórica, a Plaza Grande serve como marco zero da malha urbana de Mérida. O sistema de numeração das ruas da cidade irradia a partir deste cruzamento, atribuindo números pares às vias que correm de norte a sul e números ímpares às que se estendem de este a oeste. A praça ancora ainda o corredor pedonal do centro histórico, que avança para norte ao longo da Calle 60, passando pelos bairros de Santa Lucía e Santa Ana rumo ao Paseo de Montejo.

FAQ

Qual é a verdadeira origem dos bancos «tú y yo» em forma de S na Plaza Grande?

Embora o folclore regional aponte para um pai superprotetor de Bokobá empenhado em vigiar o namoro da filha, estes bancos foram, na verdade, adaptados do mobiliário de interior francês tête-à-tête do século XIX durante a remodelação da praça pelo governador Salvador Alvarado, em 1915.

Que edifícios emblemáticos rodeiam a Plaza Grande?

A praça é delimitada a este pela Catedral de San Ildefonso, a norte pelo Palacio de Gobierno, a oeste pelo Palacio Municipal e pelo Centro Cultural Olimpo, e a sul pela Casa de Montejo, datada do século XVI.

Que eventos públicos se realizam habitualmente na Plaza Grande?

A praça acolhe diariamente passeios históricos a pé, a tradicional dança folclórica Vaquería Yucateca às segundas-feiras à noite, em frente ao Palacio Municipal, e o festival semanal 'Mérida en Domingo', que torna pedonais as ruas circundantes para dar lugar a artesãos, bancas de comida e música.

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