Templo Mayor: história asteca na Cidade do México - Mexico-city
© Photo by Bjorn Stiphout via Google Maps
Destino

Templo Mayor: história asteca na Cidade do México

Mexico-city, Mexico

Outrora o coração espiritual e político do Império Asteca, o Templo Mayor jazeu soterrado e esquecido durante séculos sob a moderna Cidade do México. A sua redescoberta acidental, em 1978, trouxe de volta à luz o centro sagrado de Tenochtitlan, revelando os alicerces de uma poderosa civilização.

O coração espiritual do Império Asteca

O Templo Mayor, ou Huēyi Teōcalli na língua Nahuatl, era a principal estrutura sagrada do povo Mexica. Era considerado o axis mundi, o centro do universo que ligava os céus, a terra e o submundo. O templo foi fundado no local onde os Mexica viram o sinal da sua profecia: uma águia sobre um cacto com uma serpente no bico.

Simbolicamente, o templo representava duas montanhas sagradas. Um dos lados era Coatepec, o mítico local de nascimento do deus da guerra e do sol, Huitzilopochtli. O outro era Tonacatepetl, a “Montanha do Sustento”, associada a Tlaloc, o deus da chuva e da agricultura. O templo era o palco de cerimónias de estado, coroações e sacrifícios humanos rituais, que se acreditava manterem o equilíbrio cósmico e sustentarem os deuses.

Arquitetura e expansão

A construção do Templo Mayor começou algures depois de 1325 e passou por pelo menos sete grandes expansões, normalmente iniciadas por um novo governante. A estrutura era uma grande pirâmide com uma base de aproximadamente 100 por 80 metros, atingindo uma altura de até 60 metros. A sua característica distintiva era o design de templo duplo, com duas escadarias separadas que conduziam a dois santuários no seu cume.

O santuário dedicado a Huitzilopochtli era decorado a vermelho e branco, enquanto o de Tlaloc era adornado com estuque azul e branco e tinta policromada. Governantes como Motecuhzoma I e Ahuitzotl supervisionaram expansões significativas, com cada nova camada de construção a envolver a anterior.

Destruição e redescoberta

Em 1521, durante a conquista espanhola, as forças lideradas por Hernán Cortés desmantelaram sistematicamente o Templo Mayor. As pedras do templo foram depois usadas como material de construção para a nova capital colonial, a Cidade do México, incluindo a sua Catedral Metropolitana. Como resultado, a localização exata do grande templo perdeu-se durante séculos.

A sua localização permaneceu um mistério até fevereiro de 1978. Trabalhadores da companhia de eletricidade, que escavavam perto da praça principal da cidade, embateram acidentalmente num enorme monólito de pedra esculpida. O artefacto representava o corpo desmembrado da deusa da lua, Coyolxauhqui. Esta descoberta fortuita foi o catalisador do Projeto Templo Mayor, uma grande escavação arqueológica que viria a desenterrar os alicerces do templo.

Perspetivas arqueológicas

Liderado pelo arqueólogo Eduardo Matos Moctezuma, o Projeto Templo Mayor (1978-1982) pôs a descoberto mais de 200 depósitos rituais que continham milhares de artefactos. Estes achados forneceram uma perspetiva sem precedentes sobre a religião, o comércio e a vida quotidiana dos Mexica.

Uma das descobertas mais significativas foi o Hueyi Tzompantli, uma enorme estrutura de crânios localizada junto ao complexo do templo. A descoberta desta estrutura, que outrora albergou milhares de crânios humanos, confirmou os relatos históricos dos conquistadores espanhóis, que durante muito tempo foram postos em dúvida. Até 2020, os arqueólogos já tinham identificado 603 crânios no local.

O local hoje

Hoje, o Templo Mayor é um importante sítio arqueológico e museu no coração do Centro Histórico da Cidade do México, que foi classificado como Património Mundial da UNESCO em 1987. Os visitantes podem explorar as ruínas ao ar livre, que revelam as camadas sobrepostas das sucessivas fases de construção do templo.

O adjacente Museu do Templo Mayor alberga uma vasta coleção de mais de 7000 objetos recuperados durante as escavações. Estes artefactos, desde a monumental pedra de Coyolxauhqui a pequenas oferendas sacrificiais, fornecem uma ligação tangível ao império pré-hispânico que jaz sob a metrópole moderna. O trabalho arqueológico no local continua, e novas descobertas continuam a ser feitas.

FAQ

O que era o Templo Mayor?

O Templo Mayor era o templo principal do povo Mexica (Asteca) na sua capital, Tenochtitlan. Era uma pirâmide dupla dedicada a Huitzilopochtli, o deus da guerra e do sol, e a Tlaloc, o deus da chuva e da agricultura.

Porque foi destruído o Templo Mayor?

Os conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortés destruíram o Templo Mayor em 1521, durante a conquista do Império Asteca. As suas pedras foram depois reutilizadas para construir a nova capital colonial, que se tornou a Cidade do México.

Como foi redescoberto o Templo Mayor?

Depois de ter estado soterrado durante séculos, o Templo Mayor foi redescoberto acidentalmente em 1978. Trabalhadores da companhia de eletricidade, que escavavam perto da praça principal da Cidade do México, desenterraram um grande monólito de pedra esculpida que representava a deusa asteca Coyolxauhqui, o que deu início a uma grande escavação arqueológica.

O que se pode ver hoje no local do Templo Mayor?

O local consiste nas ruínas escavadas, que mostram as múltiplas camadas de construção do templo, e no Museu do Templo Mayor. O museu exibe mais de 7000 artefactos recuperados do local, incluindo o famoso disco de pedra de Coyolxauhqui.

Tours featuring Museu do Templo Mayor

More places in Mexico-city