Porta e Torre de Almedina: a entrada histórica de Coimbra
A alvenaria medieval imponente e a arquitetura defensiva da Porta e Torre de Almedina erguem-se sobre a rua, lá em baixo. Esta fronteira secular em pedra divide com precisão cirúrgica as duas metades da história de Coimbra: a zona ribeirinha dos mercadores, no sopé, e a íngreme colina dos eruditos, no cimo.
Uma fronteira entre dois mundos
O complexo é composto pela Porta de Almedina, pela defensiva Torre de Almedina construída diretamente sobre a passagem abobadada e pela exterior Porta da Barbacã. Situado na Rua Ferreira Borges, é a principal porta medieval sobrevivente do antigo perímetro amuralhado de Coimbra.
A porta funciona como um ponto de transição físico e temático crucial. Faz a ponte entre a zona plana e comercial junto ao rio, a Baixa, e a colina íngreme, académica e religiosa da Alta, que conduz à Sé Velha e à Universidade. O próprio nome vem do árabe «al-madīna», que significa «a cidade», e o conjunto foi classificado como Monumento Nacional em 1910.
Séculos de evolução arquitetónica
Originalmente, a porta servia de entrada principal para a cidade amuralhada islâmica. Após a conquista cristã de Coimbra em 1064 por Fernando I de Leão, o governador moçárabe Conde Sesnando Davides reorganizou o sistema defensivo para proteger a povoação.
A estrutura foi alvo de importantes obras de fortificação no século XIV, sob o reinado de D. Fernando I, e novamente no início do século XVI, durante os reinados de D. Manuel I e D. João III. Curiosamente, o arco exterior da barbacã era, na sua origem, um arco de ferradura mourisco. Em remodelações posteriores, os canteiros desbastaram as impostas inferiores para criar um perfil ligeiramente ogival e arredondado.
A torre do poder municipal
Entre o final da Idade Média e o século XIX, a Torre de Almedina deixou de ter uma função meramente militar para se transformar na sede do poder municipal. Foi adaptada a câmara e tribunal, ganhando a designação histórica de Torre da Relação.
No cimo da torre repousa um sino municipal, conhecido como «o sino de correr». Da Idade Média até 1870, era este sino que ditava o quotidiano em Coimbra. Tocava a anunciar o recolher obrigatório noturno, a abertura e o fecho oficial dos portões da cidade e o início das sessões da vereação. Mais tarde, a torre acolheu também a Aula Livre de Desenho e o Arquivo Histórico Municipal.
Cruzar o limiar hoje
A transição física é impressionante: da luminosidade desafogada da comercial Rua Ferreira Borges entra-se num túnel de pedra escuro e abobadado. No interior da abóbada de berço, sobressai no alto um relevo renascentista do século XVI com a Virgem e o Menino, atribuído à oficina de João de Ruão.
Ao atravessar a porta interior, entra-se diretamente na Rua do Quebra-Costas. O nome caricato deve-se à inclinação impiedosa, aos degraus de pedra e à calçada que, historicamente, sempre foi muito escorregadia. Hoje, a torre alberga o Centro de Interpretação da Cidade Muralhada, integrado no Museu Municipal de Coimbra, com exposições históricas e maquetes do perímetro defensivo medieval.
FAQ
O que significa o nome Almedina?
A palavra deriva do termo árabe «al-madīna», que se traduz por «a cidade». Era usada historicamente para designar o núcleo urbano fortificado e medieval de Coimbra.
O que se encontra hoje no interior da Torre de Almedina?
A torre funciona como Centro de Interpretação da Cidade Muralhada, um polo do Museu Municipal de Coimbra. Apresenta exposições históricas e maquetes que recriam as muralhas defensivas medievais da cidade.
Porque é que a rua por trás da porta se chama Rua do Quebra-Costas?
A rua ganhou este nome caricato devido à sua inclinação vertiginosa, aos degraus de pedra e à calçada que, ao longo dos séculos, sempre foi particularmente escorregadia.
