Kujundžiluk: o velho bazar histórico de Mostar - Mostar
© Wikimedia Commons | CC-BY-SA
Destino

Kujundžiluk: o velho bazar histórico de Mostar

Mostar, Bosnia-and-herzegovina

Origens otomanas e tradições corporativas

Kujundžiluk é uma rua comercial otomana de meados do século XVI, estendida ao longo da margem oriental do rio Neretva, em Mostar. Nascido em simultâneo com a construção da Stari Most (Ponte Velha) em pedra, em 1566, o bazar converteu-se no principal polo comercial e artesanal de toda a região da Herzegovina.

O nome da rua deriva do termo turco-otomano kuyumcu (ou kujundžija, em bósnio), que significa ourives ou joalheiro. Nas suas primeiras décadas, o bairro celebrizou-se sobretudo pelos artífices de metais preciosos, especializados em filigrana de prata e nos minuciosos fechos de cinto para noivas (pafte). As corporações de ofício (esnafi) regulavam com rédea curta a atividade comercial ao longo da rua; registos históricos de 1631 documentam mestres ilustres, como o ourives Hadži Osman, em plena atividade no mercado. No auge dos séculos XVII e XVIII, Kujundžiluk albergava mais de 500 oficinas e lojas.

Arquitetura e recuperação

A identidade arquitetónica de Kujundžiluk define-se pela alvenaria de pedra tradicional e pela atmosfera histórica das suas ruas. Esta artéria pedonal está calcetada em kaldrma, uma técnica de empedrado que recorre a seixos lisos e arredondados recolhidos diretamente do leito do rio Neretva. A ladear a rua alinham-se filas de oficinas baixas de pedra, de um só piso (dućani), caracterizadas por portadas de madeira tradicionais e coberturas em lajes de calcário.

O bazar resistiu a sucessivos ciclos de destruição e renascimento. Em 1861, um grande incêndio consumiu quase todo o bairro comercial, desencadeando uma ampla reconstrução das suas fachadas de pedra e madeira. Mais de um século volvido, a artéria sofreu bombardeamentos e danos severos durante o conflito de 1992-1995 na Bósnia e Herzegovina. Sob tutela internacional e com a coordenação da UNESCO, as oficinas históricas e os seixos foram restaurados, reabrindo ao público em 2004 em conjunto com a Ponte Velha reconstruída. Em 2005, o bazar foi formalmente classificado como Património Mundial da UNESCO, integrado na Área da Ponte Velha da Cidade Antiga de Mostar.

Artesãos contemporâneos e vida de mercado

Hoje, Kujundžiluk pulsa como um animado mercado pedonal que liga a imponente Torre Tara à Mesquita Koski Mehmed-paša e à zona de mercado de Mala Tepa, mais a norte. Embora tenham sido os joalheiros a fundar o prestígio inicial do bazar, foram os caldeireiros (kazandžije) que acabaram por definir a alma da rua, impulsionados pela crescente procura de recipientes culinários em metal e apetrechos para café.

As oficinas de montra aberta continuam povoadas pelo retinir metálico de cinzéis e martelos a lavrar chapas de cobre. Os artesãos dão forma às tradicionais cafeteiras marteladas à mão (džezve), tabuleiros de servir, cerâmica, tapetes tecidos (ćilimi) e candeeiros em mosaico de vidro. Pequenos cafés (kafane) aninhados entre as bancas servem café bósnio torrado, enquanto o regateio cortês (cjenkanje) continua a ser uma vénia indispensável entre comerciantes e clientes na compra de peças feitas à mão.

Relíquias de guerra reinventadas

A par das peças tradicionais de cobre e prata, o mercado exibe uma vertente singular de arte de trincheira, surgida no rescaldo da guerra de 1992-1995. Os artesãos resgatam cartuchos de artilharia e invólucros de balas em latão deixados pelo cerco, transformando-os em peças decorativas e funcionais. Os artífices gravam no metal polido motivos florais minuciosos ou representações da Stari Most, convertendo resquícios bélicos em canetas e pequenas jarras.

FAQ

O que significa o nome Kujundžiluk?

O nome deriva da palavra turco-otomana «kuyumcu», que significa ourives ou joalheiro. A rua foi historicamente célebre pelos mestres da prata e do ouro que criavam tradicionais fechos de cinto para noivas, antes de a caldeiraria se tornar o ofício dominante.

Onde se localiza o Kujundžiluk em Mostar?

Situa-se na margem oriental do rio Neretva, estendendo-se para norte a partir do sopé da Ponte Velha e da Torre Tara em direção ao mercado de Mala Tepa e à Mesquita Koski Mehmed-paša.

Que artesanato tradicional se encontra no bazar?

A rua é famosa pelo cobre martelado à mão, como as cafeteiras džezve e tabuleiros, filigrana de prata, tapetes tecidos, candeeiros em mosaico de vidro e canetas ou jarras decorativas feitas a partir de cartuchos de artilharia em latão reaproveitados.

O regateio é aceite em Kujundžiluk?

Sim, o regateio cortês, conhecido localmente como cjenkanje, é uma prática aceite e habitual na rua, sobretudo na compra de peças em metal gravadas à mão e artigos têxteis.

More places in Mostar