Escadas Monumentais: a histórica escadaria de Coimbra
As Escadas Monumentais funcionam como uma marcante ponte geográfica e cultural em Coimbra, ligando a zona cívica do século XIX, junto à Praça da República, ao núcleo histórico da universidade no cimo da colina, classificado como Património Mundial da UNESCO. Com 125 degraus de pedra nua, distribuídos por cinco lanços de 25, a escadaria exige um esforço físico que acentua a transição vertical e abrupta entre o ritmo urbano ao nível da rua e os planaltos de pedra austera e batida pelo vento no topo universitário.
Um monumento controverso do Estado Novo
Apesar da história secular do polo universitário, esta imponente escadaria central é uma intervenção relativamente moderna do século XX. Construído entre as décadas de 1940 e 1960, sob o regime autoritário do Estado Novo, este gigantesco projeto de remodelação urbana esteve a cargo dos arquitetos Cottinelli Telmo e Luís Cristino da Silva.
Para erguer um austero recinto universitário de matriz fascista, o regime apagou por completo a malha urbana medieval e moderna que ali existia até aos anos 1940. A obra demoliu um bairro residencial centenário e o último arco do histórico Aqueduto de São Sebastião. A nova estrutura veio substituir as modestas e arborizadas Escadas do Liceu, funcionando como um instrumento arquitetónico do poder do Estado, concebido para impor separação física, simetria e uma ascensão monumental em direção ao saber.
O epicentro da Crise Académica de 1969
Embora pensada como símbolo da autoridade do regime, a escadaria acabou por se transformar num palco de resistência. Durante a Crise Académica de abril de 1969, as Escadas Monumentais tornaram-se o epicentro do desafio estudantil contra a ditadura e a Guerra Colonial. Os degraus de pedra testemunharam grandes assembleias estudantis e violentas cargas policiais à bastonada, cimentando para sempre o papel do local na história política de Portugal.
Tradições académicas e folclore estudantil
Hoje, as escadas são a artéria por onde passam diariamente estudantes, docentes e habitantes locais entre as zonas residenciais e as faculdades na Praça D. Dinis. Para além do trânsito quotidiano, a escadaria continua a ser um ponto de encontro incontornável para os rituais de acolhimento académico, a tradicional praxe.
Há todo um rico folclore estudantil em torno das Escadas Monumentais. A tradição académica reza que os cinco lanços de 25 degraus representam os cinco anos dos cursos universitários tradicionais. Durante a praxe, os veteranos mandam frequentemente os caloiros subir e descer a escadaria sem parar, contando cada um dos degraus em voz alta. Além disso, uma superstição popular avisa que o número de tropeções ao subir as escadas dita com exatidão o número de cadeiras que o estudante vai chumbar nesse ano letivo.
FAQ
Quantos degraus têm as Escadas Monumentais?
As Escadas Monumentais são compostas por 125 degraus de pedra, distribuídos por cinco lanços de 25 degraus cada.
Quando foram construídas as Escadas Monumentais?
A escadaria foi construída entre as décadas de 1940 e 1960, durante o regime do Estado Novo. O projeto esteve a cargo dos arquitetos Cottinelli Telmo e Luís Cristino da Silva.
Que tradições estudantis acontecem na escadaria?
A escadaria é o palco central da praxe académica da universidade, onde os caloiros são muitas vezes mandados subir e contar os degraus. Além disso, a tradição académica dita que cada tropeção ao subir as escadas prevê o número de cadeiras a que o estudante vai chumbar nesse ano.
