Curva da Estafeta: a esquina mais emblemática da largada de Pamplona - Pamplona
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Destino

Curva da Estafeta: a esquina mais emblemática da largada de Pamplona

Pamplona, Spain

A curva decisiva do Encierro

Conhecida localmente como Curva de Mercaderes ou Curva de la Estafeta, a Curva da Estafeta é uma viragem abrupta em ângulo reto, a 90 graus, situada em pleno centro histórico de Pamplona, o Casco Antiguo. Ao ligar a Calle Mercaderes à Calle de la Estafeta, esta curva surge sensivelmente aos 380 metros do percurso de 875 metros do Encierro. A manada dá de caras com ela logo a seguir a uma corrida vertiginosa em descida, desde a Plaza Consistorial, atravessando a Mercaderes.

Os touros abordam a curva a velocidades que atingem os 25 quilómetros por hora. Por força da pura inércia e da força centrífuga, os animais deslizam naturalmente em direção às barreiras de madeira exteriores e às fachadas dos edifícios à esquerda. Esta dinâmica faz da esquina o momento decisivo de toda a corrida. Se a manada fizer a curva em bloco, os touros continuam sem sobressaltos pela Calle Estafeta, dando aos corredores a oportunidade de um sprint de glória diante dos chifres. Contudo, se um touro escorregar ou se esborrachar, arrisca-se a ficar isolado. Um touro desgarrado (toro suelto) torna-se rapidamente desorientado, errático e incomensuravelmente mais perigoso.

Estratégia e o "Muro do Hambúrguer"

A esquina faz parte do percurso taurino da cidade desde os finais do século XVIII e século XIX, quando os touros de lide começaram a ser conduzidos pelas ruas, desde os currais junto ao rio até à praça de touros. Ao longo de gerações de colisões violentas contra o perímetro exterior, os espetadores e corredores estrangeiros alcunharam o local de "Muro do Hambúrguer" ou "Esquina do Homem Morto".

Para fintar o perigo, os corredores veteranos desenvolveram táticas apuradas. Corredores experientes, como o norte-americano Joe Distler, aprenderam a esperar abrigados nos vãos das portas ao longo da curva, calculando o momento exato para saltar para a frente dos touros precisamente quando estes viravam. A tradição local aconselha a manter a "trajetória interior", bem colada ao passeio da direita, longe do raio exterior por onde o gado derrapa e embate na parede. A atmosfera sonora da curva é inconfundível, com o clamor da multidão a ser rasgado pelo bater estridente dos cascos ferrados a raspar na calçada, enquanto os animais tentam não perder o equilíbrio.

A ciência da calçada

Após décadas de frequentes amontoados e ferimentos graves, a Câmara Municipal de Pamplona procurou uma solução de engenharia. Em 2005, as autoridades testaram um tratamento químico antiderrapante especializado, adotando oficialmente o procedimento como protocolo de segurança anual a partir de 2006.

Todos os anos, no início de julho, os funcionários municipais aplicam cerca de 1500 litros deste líquido ao longo de sensivelmente 1875 metros quadrados de calçada de pedra, entre os Paços do Concelho e o início da Calle Estafeta. Longe de criar uma película pegajosa, a substância reage quimicamente com a sílica presente no pavimento. Esta reação desobstrui os poros microscópicos que o vaivém de transeuntes e as máquinas de limpeza urbana foram polindo, criando um efeito de ventosa (efecto ventosa) sob as solas das sapatilhas e os cascos dos touros, o que melhora drasticamente a aderência e estabiliza a manada.

O espetáculo de San Fermín e o ritmo do resto do ano

Durante as festas de San Fermín, de 7 a 14 de julho, o Encierro arranca todas as manhãs às 8h00, sendo a Curva da Estafeta o troço mais fotografado e televisionado de todo o percurso. As varandas debruçadas sobre a curva são arrendadas a peso de ouro a cadeias de televisão e a espetadores. Para evitar disputas, os fotojornalistas credenciados participam num tradicional sorteio com cartas de jogar para distribuir os cobiçados postos de observação nas varandas sobranceiras.

Fora da semana de festa, a esquina recupera a sua tranquilidade de cruzamento pedonal, ligando o burgo medieval da Navarrería à Plaza del Castillo e à Plaza de Toros. Durante o resto do ano, a calçada suporta o ritmo pacato de quem passa pelas lojas de comércio tradicional, pelas tascas de pintxos e pelas montras de recordações dedicadas à mítica corrida.

FAQ

Porque é que a Curva da Estafeta é considerada tão perigosa durante a largada de touros?

Os touros entram na curva de 90 graus a velocidades que atingem os 25 km/h. A força centrífuga projeta os animais contra a parede exterior, provocando escorregadelas, amontoados e touros desgarrados (*toros sueltos*), que ficam desorientados e imprevisíveis.

Em que consiste o tratamento antiderrapante aplicado no pavimento?

Antes do San Fermín, as equipas municipais tratam cerca de 1875 metros quadrados de calçada com 1500 litros de uma solução química. O líquido reage com a sílica da pedra para reabrir os poros microscópicos, criando um efeito de ventosa (*efecto ventosa*) que aumenta consideravelmente a tração.

O que é a "trajetória interior" na Curva da Estafeta?

A trajetória interior é uma estratégia de segurança em que os corredores se mantêm rigorosamente encostados ao passeio direito da curva, evitando o raio exterior, para onde a força centrífuga arrasta a manada em investida.

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