
Quiosque da Plaza del Castillo: o coreto central de Pamplona
O emblemático coreto da Plaza del Castillo
Erguendo-se no centro da Plaza del Castillo, o Quiosque é um coreto de pedra com 18 metros que serve de âncora visual à principal praça cívica de Pamplona. Construído em 1943, o atual quiosque em pedra veio substituir um antigo coreto de madeira que ali pontificava desde 1910. Hoje, assume-se como o palco central para concertos, encontros cívicos e eventos públicos no coração da capital navarra.
Antes de haver qualquer coreto, o espaço acolhia um fontanário do século XVIII concebido pelo pintor Luis Paret. A fonte era coroada por uma escultura alegórica da Abundância, conhecida pela população local como «La Mariblanca». Quando o monumento foi desmontado em 1910 para dar lugar ao primeiro quiosque de madeira, a estátua foi preservada e transferida para os Jardins da Taconera.
A evolução da Plaza del Castillo
O Quiosque situa-se numa esplanada pedonal de 14 000 metros quadrados, rodeada por arcadas cobertas e fachadas ecléticas erguidas entre os séculos XVIII e XX. Antes de ser um espaço cívico unificado, este terreno servia como uma zona-tampão neutra, pensada para travar confrontos entre três burgos medievais desavindos: Navarrería, San Cernin e San Nicolás.
Entre 1308 e 1312, o rei Luís I de Navarra mandou construir uma fortaleza no local, dando origem ao nome da praça. Em 1513, Fernando, o Católico, reaproveitou as pedras dessa fortaleza para erguer uma fortificação a sul, demolida em finais do século XVI após a conclusão da moderna Cidadela. Por volta de 1600, um convento de Carmelitas Descalços fechou o flanco sul. Durante séculos, o recinto fechado funcionou como a principal arena de touradas de Pamplona, até ser construída uma praça de touros permanente em 1844. Na sequência das desamortizações eclesiásticas de 1836, o convento foi demolido, abrindo caminho para a construção do Palácio de Navarra.
Arquitetura envolvente e vida cívica
Conhecida entre os habitantes locais como «el cuarto de estar de los pamploneses» (a sala de estar de Pamplona), a Plaza del Castillo serve de charneira urbana entre a densa malha medieval do centro histórico (Casco Antiguo) e o traçado mais desafogado do Segundo Ensanche. As suas arcadas profundas dão abrigo contra as intempéries dos Pirenéus, enquanto ecoam o burburinho das esplanadas, o vaivém dos transeuntes e as melodias dos músicos de rua.
A praça é ladeada por edifícios de grande relevo histórico. O lado oriental acolhe o Palácio Goyeneche, uma joia barroca do século XVIII, enquanto o Gran Hotel La Perla, do século XIX, ocupa outra das frentes. O Café Iruña, inaugurado em 1888, foi o primeiro estabelecimento comercial de Pamplona a adotar eletricidade. O espaço alcançou mais tarde fama internacional através do romance de Ernest Hemingway de 1926, O Sol Também Se Levanta, exibindo hoje uma estátua de bronze do escritor em tamanho real, encostada ao balcão.
Descobertas arqueológicas
Entre 2001 e 2003, o subsolo do Quiosque e da praça esteve no centro de todas as atenções durante as escavações para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo. Os trabalhos puseram a descoberto estratos históricos impressionantes, incluindo termas romanas do século II, troços de muralhas medievais e uma necrópole islâmica do século VIII com mais de 160 sepulturas. A decisão das autoridades de retirar ou cobrir com betão estes vestígios seculares para concluir a estrutura do parque desencadeou uma enorme vaga de protestos populares.
FAQ
Quando foi construído o atual Quiosque da Plaza del Castillo?
O atual coreto de pedra, com 18 metros de altura, foi instalado em 1943, substituindo o antigo coreto de madeira erguido em 1910.
O que existia no centro da praça antes da construção dos coretos?
Antes de serem erguidos os quiosques, o espaço era ocupado por um fontanário do século XVIII desenhado por Luis Paret e encimado pela estátua «La Mariblanca», desmontado em 1910.
O que foi descoberto sob a Plaza del Castillo durante as escavações subterrâneas?
As escavações para a construção de um parque de estacionamento entre 2001 e 2003 revelaram termas romanas do século II, troços de muralhas medievais e uma necrópole islâmica do século VIII com mais de 160 sepulturas.




